Eusébio continua sob apertada vigilância médica na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital da Luz, mas o seu estado clínico é estável, segundo adiantou a equipa médica liderada por José Roquette na última actualização sobre o estado de saúde do antigo craque. O despertar do Pantera Negra, no pós-operatório, foi controlado pelos médicos que se depararam com um paciente «refilão».
João Sá, coordenador da Unidade dos Cuidados Intensivos, contou que o estado clínico de Eusébio é estável, mas está ainda numa fase crítica. «Há uma situação de compromisso entre um despertar que queremos que seja tranquilo. O processo está a decorrer com algumas cautelas, para termos um despertar com conveniência clínica. As análises estão normais, mas continua sob a mais apertada vigilância. Ainda é cedo, as primeiras 24 horas são críticas», começou por destacar.
O Pantera Negra, ainda entubado, acordou refilão, uma situação que os médicos tentaram controlar. «Não podemos deixá-lo refilar muito para não afectar a circulação sanguínea», acrescentou João Sá. Antes da operação, Eusébio foi informado do resultado do Benfica nos Barreiros, mas, mesmo que tudo corra da melhor forma, será quase impossível ao Pantera Negra assistir ao Benfica-Sporting do próximo domingo. «Acho que continua a ser do Benfica, mas é precoce ter uma emoção dessas», acrescentou o director clínico José Roquette.
Oitenta por cento da artéria estava bloqueada
A equipa médica que conduziu a intervenção cirúrgica, liderada pelo cirurgião Germano do Carmo, fez ainda uma recapitulação sobre os passos que foram dados no decorrer da operação depois de Eusébio, no domingo à noite, ter dado aval para que esta tivesse lugar esta manhã. «Tinha uma lesão, uma placa ateroma, que obstruía o fluxo de sangue para o cérebro. Essa placa foi removida. É uma técnica que foi descrita pelo médico português João Cid dos Santos em 1947 que consiste na redução da camada interna da artéria. É a técnica convencional nestas situações. Oitenta por cento dessa artéria (carótida interna esquerda) estava bloqueada», contou.
Na sala de operações, além de Eusébio, esteve uma vasta equipa de nove elementos: o cirurgião vascular Germano de Sá, que contou com o apoio dos médicos António Rosa e João Rebelo de Andrade; a anestesista Cristina Pestana; o enfermeiro instrumentista Filipe Ribeiro; a enfermeira circulante Sónia Ganilho; e ainda os enfermeiros de apoio Elsa Fernandes e Filipe Costa.
Eusébio vai ter que deixar de fumar charutos
Uma intervenção que correu sem qualquer incidente, tal com já demonstraram os exames realizados. Para já todos os sinais apontam para uma evolução positiva, dentro das expectativas e, se assim, continuar, Eusébio deverá deixar os CI já esta terça-feira. Uma coisa é certa, depois de totalmente recuperado, Eusébio terá de mudar o seu estilo de vida. «Não será uma mudança radical, mas vai ter de reduzir algum tipo de alimentação que fazia, principalmente o sal. Vai ser medicado, vai fazer dieta e deve suspender o tabaco. Soube que ele fumava alguns charutos», contou José Roquette.
Eusébio já contou com a visita dos familiares mais próximos, a mulher Flora e as filhas Sandra e Carla, mas esta segunda-feira não foram autorizadas outras visitas. Entretanto, o Presidente da República Cavaco Silva já telefonou para o Hospital da Luz para se inteirar sobre o estado de saúde do Pantera Negra.